Ao custo de R$ 23 mil, balão gástrico chega ao Brasil; entenda

Dispositivo permanece quatro meses no estômago do paciente, com projeção de redução de 15% do peso do paciente; Benoit Chardon, executivo da empresa responsável pela tecnologia, fala ao GLOBO sobre o método.

No Brasil, um a a cada quatro pessoas enfrenta o quadro de obesidade. É neste grupo que a empresa norte-americana Allurion mira seu recente negócio no país: um balão gástrico que dispensa a necessidade de endoscopia para inserção.

Em um procedimento de ares futuristas, o paciente engole uma cápsula (do tamanho de uma tampa de caneta) que, acompanhada de uma cânula, é inflada com água dentro do estômago. Dentro do organismo, o dispositivo permanece por cerca de quatro meses. Com a sensação de saciedade causada pelo mecanismo (e a dieta adequada), o paciente perde, estima-se, 15% de seu peso normal. O produto acaba de chegar ao país, com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O custo do tratamento chega a R$ 23 mil e, pelos próximos anos, ficará restrito às clínicas

Ao GLOBO, o executivo Benoit Chardon fala sobre como aplacar o reganho de peso após o uso do item, detalha a operação no país e descreve quem pode usá-lo.

Como a empresa irá operar no Brasil e quando os balões estarão disponíveis?

Já estão disponíveis. O balão foi aprovado no final do ano passado e levamos algum tempo para importa- lo, mas as primeiras clínicas já receberam. As aplicações iniciais aconteceram em março. Neste começo de abril, realizamos eventos para treinar as clínicas que têm interesse no dispositivo. Participam médicos, nutricionistas e todos os especialistas que entram em contato com o paciente. No Brasil, vamos estar em clínicas especializadas em perda de peso. É uma opção para o paciente que está entre a academia, a dieta ou a cirurgia que requer uma anestesia geral. Estamos no meio do caminho entre os dois.

Quem poderá usar?

No Brasil, a Anvisa aprovou o produto, de maneira restritiva, para pacientes com IMC acima de 30. Em outros lugares do mundo, porém, há uso para pacientes com IMC acima de 27, sem risco. O tratamento no Brasil, portanto, ficará centrado em pacientes com obesidade e não com sobrepeso. A projeção é que o uso leve à redução de 15% de perda de peso do paciente. A pessoa perde sete quilos, em média, no primeiro mês. É realmente transformador.

É sabido que a obesidade é uma questão de saúde multidisciplinar. E que normalmente há reganho de peso após perdas muito rápidas. Como lidam com esses fatores?

Aqui, a velocidade de perda de peso está relacionada à motivação do paciente. Há, sim, um suporte multidisciplinar, pois a obesidade é multifatorial. Não existe um único tratamento que você resolva em casa, sozinho, isso não funciona. No fim das contas, é preciso mudar sua relação com a comida e a qualidade do que você consome. É o que pensamos no nosso programa. Você coloca o balão, uma vez com ele no estômago, você se sente satisfeito, não quer comer muito. A grande questão é partir dessa sensação de “satisfeito” (barriga cheia) para reeducar o paciente a escolher melhores opções.

O que é esse “programa”?

Os resultados do paciente são monitorados (por celular e smartwatch) em um aplicativo a que o médico tem acesso. O software monitora o paciente e sugere receitas, atividades físicas diárias, conforme os dias avançam. A única coisa que o paciente precisa ter é um celular, e todo mundo que paga 5 mil dólares em um tratamento tem isso.

Como funciona a inserção do produto?

É simples. O paciente vai até a clínica e, com acompanhamento do médico, engole uma cápsula com um cateter ligado. Para engolir, é preciso tomar um grande gole d’água. Na sequência, o balão é inflado pela cânula com água esterilizada. Desta forma, o balão se desdobra no estômago. Ele, inclusive é manufaturado, não conseguimos uma máquina que fizesse esse trabalho de dobradura, para caber na cápsula. Inflado, o balão tem o tamanho de uma toranja (o conteúdo é de cerca de 500 ml). Não é preciso, portanto, uma endoscopia para colocá-lo. Depois de quatro meses, há uma válvula que se dissolve e o balão esvazia e é expelido (naturalmente).

Quem não pode usar? Como são os efeitos adversos?

O corpo precisa se adaptar ao balão. No começo, há a sensação de que você tem uma grande fruta na barriga. Há náusea e vômito. Nos três primeiros dias você deve manter uma dieta líquida, para o estômago se acostumar. A vasta maioria sente isso, mas alguns não sentem nada. Alguns pacientes podem se sentir estranhos com o balão, mas isso está em 1% do total. Não podem usar pessoas que passaram por cirurgias no estômago e intestino, pois esse tipo de procedimento pode causar cicatrizes que impedem o “trânsito” do balão.

O produto chega ao mercado junto com medicamentos eficientes contra a obesidade. Essa estratégia não é datada?

Primeiro de tudo, acho que o desenvolvimento das drogas é bom, leva mais e mais pessoas a buscar um médico. É uma evolução, a cada ano aparecem novas drogas. Nós somos uma empresa menor, não vamos atender milhões e milhões de pessoas. Porém é preciso motivação para manter um tratamento de 12 meses com uma droga. Bem, se as pessoas com as injeções não estiverem felizes com o resultado, podem procurar a cirurgia (bariátrica) ou um balão.

Você trabalhou na popularização do botox, anos atrás. Acha que o balão terá a mesma popularidade?

Sim, 100% de chance. Digo que será semelhante em termos de inovação, mas há uma diferença importante: o botox é quase como uma “arte”, cada rosto fica diferente. No caso do balão, o processo é mais bem definido.

 

Saiba Mais em https://oglobo.globo.com/google/amp/saude/noticia/2023/04/balao-gastrico-estamos-no-meio-do-caminho-entre-a-dieta-e-a-cirurgia-explica-executivo.ghtml?fbclid=PAAaZExB-Tk5z2s42DpEYUf44P771RrbO32Sa8brrseyfbGoKiHDDkuL_ilsI

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